São Marcos de Palestra Itália, o maior goleiro do Brasil se aposenta.
Conteúdo publicado por Divulgação em: 11/01/2012 às 12:07h.
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Uma semana depois do anúncio oficial de sua aposentadoria, o ex-goleiro Marcos foi recebido como um legítimo “santo” na Academia de Futebol do Palmeiras nesta quarta-feira. Ao som de narrações de lances históricos que protagonizou e do hino do clube cantado por ele, Valdivia e Edmundo, o ídolo chegou sorridente e se disse preparado para segurar o choro, mas ficou com a voz embargada e os olhos marejados ao falar sobre a era que acaba de chegar ao fim.

Para Marcos, o ponto final de sua carreira se assemelha à morte. “Vendo todas as homenagens, parecia que tinha morrido (risos). E, na verdade, morri mesmo. Sabe quando morre um parente seu? Você chega em casa, vê a roupa de concentração, sua mala e pensa: rapaz, morri. São dois personagens: o Marcos pai e o Marcos goleiro do Palmeiras. O goleiro morreu mesmo, só vai jogar um jogo de despedida e depois acabou”, comparou, jurando não ter arrependimentos.

[singlepic id=3191 w=320 h=240 float=left]”Minha marca no futebol acho que foi a identificação com a torcida do Palmeiras, que reconhecia o torcedor que estava dentro de campo. Falei muita besteira, muitas vezes poderia ter ficado quieto, mas pelo menos sempre fui o Marcos. Nunca vim com o discurso pronto, sempre falei o que meu coração mandava”, declarou o sempre polêmico Marcos, que creditou às insistentes dores a decisão de abandonar a profissão.

“Ser jogador de futebol era um sonho de infância que se tornou realidade. Estou muito feliz por ter começado bem e por ter parado na hora certa. Tem goleiros preparados no Palmeiras, acho que meu tempo deu. Agora está na hora de descansar um pouquinho”, acrescentou ele, que terá dois meses de férias antes de decidir a função que exercerá no clube.

O Palmeiras organizou uma cerimônia grandiosa para o primeiro pronunciamento de seu ídolo como ex-atleta. Em vez de ir até sala de imprensa utilizada no dia a dia, o “santo” foi recebido no ginásio da Academia, com espaço para mais pessoas. Na entrada do local, estava exposta a maquete da Nova Arena Palestra Itália, enquanto dois telões exibiam um clipe com diversas defesas de Marcos e músicas de bandas como Foo Fighters, Green Day e Simple Plan.

A aposentadoria de Marcos foi anunciada no dia da reapresentação do elenco para a temporada 2012, 4 de janeiro. Na ocasião, ele informou sua decisão ao vice de futebol Roberto Frizzo e ao gerente César Sampaio, responsável por tornar a notícia pública. O pentacampeão encerrou sua vitoriosa trajetória aos 38 anos, com 530 partidas e 12 títulos pelo Verdão. Sua última partida como profissional foi o empate por 1 a 1 com o Avaí, na Ressacada, em 18 de setembro do ano passado. Desde então, dores no joelho esquerdo o impediam de treinar normalmente e de jogar.

“Eu não consigo mais entrar em forma, fiz algumas partidas acima do peso no ano passado. Todo mundo sabe que um goleiro tem que treinar muito, tem que ser ágil, veloz, e com as dores no joelho eu não conseguia. Sempre briguei muito com a balança, treinava no campo e corria na esteira para ficar bem. Com as dores, não conseguia fazer isso. Ia para a esteira, meu joelho inchava e eu ficava em uma sinuca. Acho que consegui terminar bem, mesmo à base de muito remédio. Tinha que tirar o líquido do joelho sempre, o corpo estava pedindo arrego”, explicou.

[singlepic id=3186 w=320 h=240 float=left]Nascido em Oriente-SP, Marcos Roberto Silveira Reis apareceu para o futebol jogando pelo clube do Palestra Itália no início da década de 90 e se transformou em uma das maiores figuras da história alviverde ao conquistar os seguintes torneios: Brasileiro (93/94), Copa do Brasil (98), Mercosul (98), Copa América (99), Paulista (94/96/08), Torneio Rio-SP (2000), Copa dos Campeões (2000), Brasileiro Série B (2003) e a Copa Libertadores (1999) que o consagrou. Pela Seleção, além da Copa do Mundo de 2002, faturou a Copa América de 1999 e a Copa das Confederações de 2005.

“Minha carreira foi completa. Fiz coisas maravilhosas, tomei um monte de frango, dei um monte de entrevistas boas para vocês e ruins para mim (risos). Não me arrependo de nada”, decretou o eterno camisa 12 do Palmeiras, pronto para conservar a idolatria da torcida, agora fora de campo.

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